APLICATIVOS DE TRANSPORTE: QUEM É RESPONSÁVEL POR ACIDENTES E ASSALTOS? CONHEÇA SEUS DIREITOS

Você provavelmente tem um ou mais aplicativos de transporte instalados no celular. Eles revolucionaram a forma como nos movemos, trazendo facilidade para passageiros e renda para motoristas. Mas, e quando algo dá errado? Uma dúvida cada vez mais comum é: os aplicativos são responsáveis pela segurança do passageiro e do motorista?

As empresas costumam alegar em seus “Termos de Uso” que são apenas intermediárias digitais, jogando a responsabilidade de acidentes ou assaltos para os usuários. Mas será que a lei concorda com isso? Neste artigo, explicamos de forma simples quais são os reais direitos de quem dirige e de quem usa o serviço.

Direitos nos Aplicativos de Transporte
Direitos nos Aplicativos de Transporte

APLICATIVOS DE TRANSPORTE – A “TESE DA INTERMEDIAÇÃO” VS. O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

A principal defesa das plataformas é afirmar que elas apenas realizam a “aproximação” entre motorista e passageiro. Segundo elas, qualquer dano deve ser resolvido entre as partes envolvidas na viagem.

Porém, a Justiça brasileira tem um entendimento diferente. Para o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o aplicativo é um fornecedor de serviço. Isso gera o que chamamos de responsabilidade solidária. Ou seja: a empresa responde pelos riscos da atividade que explora e lucra.

1. DIREITOS DO PASSAGEIRO: O APP PAGA A CONTA?

Sim. Como consumidor, o passageiro está protegido pela lei. Se você for lesado durante uma corrida, o aplicativo pode ser responsabilizado.

Situações comuns passíveis de indenização:

  • Acidentes de trânsito durante a corrida.
  • Direção perigosa ou imperícia do motorista.
  • Assédio, abusos ou má conduta.
  • Cobranças indevidas ou em duplicidade.

O que fazer se for prejudicado?

Para garantir seus direitos e o ressarcimento, você deve agir rápido:

  1. Reúna Provas: Tire prints da tela da corrida, do perfil do motorista e do histórico.
  2. Documente: Guarde notas fiscais de gastos médicos ou materiais.
  3. B.O.: Em casos graves (acidentes ou crimes), vá à delegacia e faça um Boletim de Ocorrência. Ele é um instrumento de prova fundamental.

2. DIREITOS DO MOTORISTA: TAMBÉM HÁ PROTEÇÃO?

Esta é uma área que evoluiu muito nos tribunais. Inicialmente visto apenas como parceiro/prestador, o motorista hoje também consegue responsabilizar o aplicativo em situações específicas.

O entendimento atual foca na Falha do Dever de Segurança.

Os aplicativos lucram ao conectar pessoas que não se conhecem. Portanto, eles têm o dever de zelar pela segurança dessa conexão (checagem de dados, antecedentes, áreas de risco).

Quando o aplicativo pode ser responsabilizado perante o motorista?

  • Assaltos: Se um passageiro assalta o motorista, entende-se que houve uma “aproximação desqualificada”. O app falhou na triagem do usuário.
  • Acidentes Graves: Se o sistema falha em oferecer suporte ou segurança.

Isso é considerado um acidente de consumo. O aplicativo não zelou pela segurança do prestador, logo, pode ser judicialmente coagido a ressarcir os prejuízos do motorista.

COMO BUSCAR AJUDA JURÍDICA ESPECIALIZADA?

Se você, motorista ou passageiro, sofreu danos e o suporte do aplicativo não resolveu, não aceite o prejuízo.

Recomendamos seguir este roteiro básico:

  1. Tente resolver via suporte do App (e guarde o número do protocolo).
  2. Não resolvendo, procure um advogado de sua confiança ou a Defensoria Pública.
  3. Leia nosso guia completo: Direitos do Consumidor – um passo a passo para resolver problemas!

Lá listamos 5 dicas infalíveis para manter a calma, organizar as provas e dar os passos certos rumo à solução, seja via administrativa ou demanda judicial.

Direitos do Consumidor

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